Os santos anjos, com ardente zelo, adejando aqui e ali, com extremo amor começaram a tocar nas machucaduras, limpando suas feridas dos corpos e corações. Os corpos dos jovens e crianças jaziam ao chão mas seus corpos espirituais iam adquirindo um brilho e fulgor que eles jamais haviam visto aqui, na terra. A visão tenebrosa dos lugares cheios de sangue e dor iam dando lugar a visão de novos céus e novas terras. Orações subiam aos céus como incenso e descia como orvalhos de paz e, as pessoas pela força do Alto, superavam suas fraquezas humanas e começavam a arregaçar as mangas e ajudar os mais fracos: os que estavam partindo e os familiares que gritavam e desmaiavam de dor e espanto.
Com tantos gritos de angústia e súplicas aos céus o exército dos celestiais desceu para confortar os humanos e iam tocando nos corações dilacerados pela dor. Enquanto as pessoas corriam aqui e ali - ajudando além de suas possibilidades físicas, pois a adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias normais, permanecem adormecidas -, os anjos com os pés descalços, deslizavam para todos os lados. Celestiais e humanos se tocando. O céu se fundindo com a terra. Algumas crianças estavam no limiar entre o céu e a terra mas não ouviam mais os gritos de tristeza. Eram tocadas por anjos de semblantes formosíssimos, vigorosos e de rara beleza que diziam: "*Não tenham medo! O fim de tua vida é apenas o princípio da eternidade." Outros jovens acima do chão, já quase no teto embora para eles, o que se descortinava era uma luz claríssima que os atraia cada vez. Alguns olhavam no chão, seus corpos ensanguentados e inertes, como uma roupa que é largada num lugar qualquer mas eles não se importavam mais pois esse novo corpo - era o mesmo, só que transfigurado - lhes traziam grande paz e alegria. Ao longe eles já ouviam risadas, gritos de felicidade. pareciam que uma multidão já vinham ao seu encontro. E vinham mesmo, rostos felizes, uma imensa multidão de jovens, belos. Muitos eram parentes daquelas crianças: tios, tias, avós, mas tinham um aspecto jovem e incrivelmente belos e os abraçavam felizes, por tê-los reencontrado. Relâmpagos brilhantes cruzavam os céus mas, na verdade, era anjos e mais anjos que chegavam para ajudar todas as pessoas: as crianças que deixavam este mundo e seus familiares enlutados pela dor, que não conseguiam ver com seus olhos carnais aquela legião de jovens que vinham ao encontro de seus amados, agora, com longos trajes, alvíssimos e cobertos de ouro, com coroas de diademas em suas cabeças. Seus rostos brilhavam mais que o sol e eles ouviam, extasiado, uma música dulcíssima e celestial. Todos se encontravam e se abraçavam, tomados de imensa alegria.
Os humanos começaram a sentir um amor circulando freneticamente no meio deles e esqueciam de si, ajudando os mais frágeis. Famílias enlutadas que eram tomadas pela surpresa da morte e do desconhecido, mesmo sentindo-se desoladas pela perda dos seus, mesmo diante do inevitável sofrimento, começaram a pensar em outras crianças que estavam sofrendo e poderia ser salvas se recebessem algum órgão em doação e resolveram - suplantando sua dor -, tomar todas as providências no sentido dar a outras famílias a felicidade de ter em seus braços, suas crianças curadas.
O Paraíso e a Terra estavam numa profunda comunhão e as flores - as pessoas - seriam curadas e voltariam a sorrir de novo pois o perfume do amor, acima de toda miséria humana, é o que move o mundo e cura a humanidade.
*NOTA: A frase colocada acima, é do livro MEU ANJO DANIEL e conta a experiência pessoal de Vassula com seu anjo Daniel.
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