quarta-feira, 6 de abril de 2011

DELICADEZAS





FATO: A garotinha de 7 anos de idade, chegou em sua casa, morrendo de calor. Correu na cozinha, pegou aqueles comprimidos efervescentes para gripe - sabe esses com sabores? -, então, ela jogou o comprimido-bolacha num copo quase gelado porque estava com gripe - e enquanto o comprimido ia derretendo, ela correu ao banheiro. Quando voltou, o copo estava vazio, em cima da pia. Outra pessoa chegou, viu aquela água quase geladinha, aquelas bolhinhas borbulhando, até sabia que era dessa pobre crianças mas...mas..não resistiu! Bebeu tudinho. Eu vi essa cena! Imagina! fazer isso com uma criança! E o pior! Era a última pastilha! A criança até chorou quando viu que não tinha mais nada. Coisa de maldade de criança, né? Pior é que, quem havia feito isso com ela foi sua mãe! Euzinha! Crápula! Desculpe...Sorry.. Escusa...Afinal, temos nossas escorregadelas. Somos feitos de barro. É a nossa sina. Erramos de vez em quando.




E quando estamos no Caixa passando as compras, e ops! esquecemos um litro de leite, um iogurte e você vê que tá ali, bem na sua frente, só que no carrinho do vizinho. Vai, confessa! Não dá uma vontade louca de tirar do carrinho dele e por no seu? Eu penso que ele, ou ela, num ataque de gentileza, deveria pegar aquele item que fez crescer meus olhos, colocar no meu carrinho e ela, que não tem mais pressa que eu, voltar na pratelerira e entrar novamente no começo daquela interminável procissão. Declaro que já tive vontade, mas nunca fiz.




Veja esta cena: dia de chuva, você vai atravessar a rua, vê um pontinho ao longe e imagina que é um carro, você acha que dá tempo. Mas o coiote, ao longe, também te viu, e aflora nele o instinto assassino. Ele pisa no acelerador! E vem...e vem... se você não corre, ela já passou por cima de você e de toda sua descendência. Não te pegou...dessa vez não... mas conseguiu passar na melhor poço da rua e transferiu toda aquela água com lama sobre a sua pessoa.




Não existem pessoas mais educadas e gentis que os motoristas de ônibus! Que delicadeza! Os pobres idosos estão escolhendo qual a perna melhor, a que vai aguentar subir primeiro e eles já estão acelerando. Se você não ajudar os pobrezinhos, eles vão - numa acelerada cruel, e ficam as bengalas, ou sacolas. Até parece que esses condutores foram deserdados. Além do que o salário deles também é uma fortuna, né? E aí, não adianta vaia para a categoria, eu penso que esses, mais exaltados, querem holofotes às custas de nossos idosos. Lanço aqui uma campanha para acabar o estresse, diminuir esse cortisol malvado que os levam à ansiedade e os fazem agir assim: Laranja! Calma! Não é laranja neles. Cada um dá uma laranja para o motorista - não é uma banana... eu não disse isso -, pois o consumo de vitamina C promove o bom funcionamento do sistema nervoso e aumenta a sensação de bem-estar.






Há faltas de gentilezas involuntárias, por exemplo, meu pai que entrava em casa e esqueecia de minha mãe que ficara um pouco para trás - havia passado na padaria para comprar pão -, entrava e trancava a porta e ela tinha que ficar tocando campainha. Quanta gentileza! Esquecer da própria mulher!




Hoje recebi uma gentileza: o cobrador, muito atencioso, disse que a minha sacola estava aberta e ele mesmo, pedindo licença, a fechou para mim. Fui embora feliz, com tanta delicadeza e quando estava agradecendo a Deus por ele, veio um carro em minha direção, escolheu uma poça, a única, posto que não está chovendo, e fez questão de me saudar com uma água bem limpinha.




Para terminar - descobri que blog também tem hora para conclusão - conto aqui o causo de um jovem que cansou de trabalhar no escritório e foi pedir emprego numa fazenda. O fazendeiro deu um balde e o encaminhou para tirar o leite da vaca. E assim foi... a manhã toda e o moço nada de vortá - já que agora tamo no campo, né? - A tarde já ia indo embora quando chega o jovem, silencioso e com cara de cansado. Vendo que ele não trouxeram nada, o sertanejo perguntô:


- Ué...A vaca não deu nada? - Deu - respondeu o pobre -.... deu 10 litros de leite e um coice no balde.






Amanhã sigo no mesmo assunto e vou falar sobre gentileza coletiva.



















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