terça-feira, 21 de junho de 2011

SÍLVIA














A morte chega para todos. Isso é fato. Todos os dias recebemos a notícia que alguém se foi. às vezes ficamos boquiabertos de vermos quão próximos ela passou por nós, resvalando em nossos corações, interrompendo sonhos, projetos e, de repente, o futuro acabou ali. Foi o que aconteceu comigo e com certeza com todos, quando receberam essa triste notícia: a de sua partida. E agora, quando olho essa foto de minha amiga, quase nem acredito: como ela pode ser pega mortalmente por um insano, alcoolizado, que resolveu beber e pegar uma estrada?



Que direito tem uma pessoa de brincar com vidas dessa forma?



De que adianta as propagandas falando sobre o preço de tais vidas e como, apenas num segundo, tudo pode virar uma enorme tragédia? Quem disse que se pode tomar um...UM trago e pegar uma direção?



Conheci a Silvia há uns 11 anos. Professora inteligentíssima, o qual foi muito lembrado por seus colegas acadêmicos mas o que mais se destacava nela e me encantava era sua meiguice e doçura. Começamos nossa amizade nos corredores do meu serviço e assim continuou. Não tinha aquilo de irmos uma na sala da outra, ou de telefonar para contar novidades, fazer passeios familiares ou participar de churrascos ou festinhas de aniversário. Não.



A gente ia compartilhando aos poucos: nos encontrávamos nos corredores, na cozinha para um cafezinho e, às vezes ela me pedia orações para algum projeto que ela ia realizar. Depois sumia, ficávamos alguns dias sem nos vermos, depois nos encontrávamos, casualmente, quando ela me contava sobre o sucesso que havia sido aquela demanda. Próximo mês ela estava organizando um evento onde receberia pesquisadores do mundo inteiro tal seu interesse pela vida científica e pesquisa.



Amizade assim curtindo aos poucos como um vinho que você vai sorvendo sem pressa nenhuma de acabar. Pra quê a pressa? Ela, jovem, com muitos anos pela frente e eu um pouco mais na frente. Ainda teríamos muitos papos para colocar em dia... Pensava eu... No entanto não foi assim que aconteceu. Eu já tive a idade dela mas ela nunca terá a minha.





Sem pressa alguma a gente ia fortalecendo nossa amizade. Às vezes quando ela vinha e me dava um abraço mais forte e demorado eu sabia que a coisa tava pegando, então não havia palavras para expressar tais sentimentos. Depois ela sorria - ela sempre sorria - e lá íamos nós, cada qual para sua caverna.



Nem faz um mês que se foi mas penso nela todos os dias. É inevitável não deixar de olhar na janela de sua sala. Agradeço a Deus por esses anos que passamos juntas dessa forma. Foi muito gratificante para mim. Sinto falta do seu abraço. Como sinto!



Peço a Deus que tire toda a tristeza do meu coração e, principalmente daquelas pessoas que conviveram mais intimamente com ela: seu marido, pai, irmão e seu tesouro o qual ela sempre falava: seu filho adolescente o qual ela tinha uma verdadeira paixão e, novamente me perguntou: que direito alguém tem de tomar uma dose sequer de álcool e dirigir um veículo para destruir vidas tão preciosas, como a dela, pois todos sentimos o impacto dessa violência. Se houvesse menos violência nas estradas, mais prudência; muitas pessoas ativas e jovens estariam aqui, produzindo, criando, vivendo e fazendo outras pessoas felizes.





Que a dor não nos faça desiludir e desacreditar do ser humano e que possamos ter esperança no coração.



Que Deus dê força a todos que sofreram com essa perda insubstituível e que Ele possa nos mostrar a cada dia, que o fim da vida é apenas o princípio da eternidade.



Silvia... amiga, irmã, filha, esposa, orientadora. Que a Paz esteja contigo!



Para sempre em nossos corações!

Nenhum comentário:

Postar um comentário