segunda-feira, 27 de junho de 2011

O AMOR


Esse texto não é meu, é do Kalil Gibran, mas achei pertinente: segundona...pós feriado...um frio da gota...melhor começar a semana de leve.
























Disse, então, Almitra: - Fala-nos do amor.






E ele levantou a cabeça e olhou para as pessoas, e o silêncio caíu sobre eles. E com uma voz poderosa, ele disse:- Quando o amor vos chamar, segui-o, apesar de seu caminho ser duro e íngreme.







E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o, apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos. E quando ele falar convosco, acreditai nele, apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruína o jardim.







Pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica. Mesmo sendo para o vosso crescimento, ele também vos poda. Mesmo quando ele chega à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que tremem ao sol, ele também desce às vossas raízes e abala a vossa ligação com a terra.

terça-feira, 21 de junho de 2011

SÍLVIA














A morte chega para todos. Isso é fato. Todos os dias recebemos a notícia que alguém se foi. às vezes ficamos boquiabertos de vermos quão próximos ela passou por nós, resvalando em nossos corações, interrompendo sonhos, projetos e, de repente, o futuro acabou ali. Foi o que aconteceu comigo e com certeza com todos, quando receberam essa triste notícia: a de sua partida. E agora, quando olho essa foto de minha amiga, quase nem acredito: como ela pode ser pega mortalmente por um insano, alcoolizado, que resolveu beber e pegar uma estrada?



Que direito tem uma pessoa de brincar com vidas dessa forma?



De que adianta as propagandas falando sobre o preço de tais vidas e como, apenas num segundo, tudo pode virar uma enorme tragédia? Quem disse que se pode tomar um...UM trago e pegar uma direção?



Conheci a Silvia há uns 11 anos. Professora inteligentíssima, o qual foi muito lembrado por seus colegas acadêmicos mas o que mais se destacava nela e me encantava era sua meiguice e doçura. Começamos nossa amizade nos corredores do meu serviço e assim continuou. Não tinha aquilo de irmos uma na sala da outra, ou de telefonar para contar novidades, fazer passeios familiares ou participar de churrascos ou festinhas de aniversário. Não.



A gente ia compartilhando aos poucos: nos encontrávamos nos corredores, na cozinha para um cafezinho e, às vezes ela me pedia orações para algum projeto que ela ia realizar. Depois sumia, ficávamos alguns dias sem nos vermos, depois nos encontrávamos, casualmente, quando ela me contava sobre o sucesso que havia sido aquela demanda. Próximo mês ela estava organizando um evento onde receberia pesquisadores do mundo inteiro tal seu interesse pela vida científica e pesquisa.



Amizade assim curtindo aos poucos como um vinho que você vai sorvendo sem pressa nenhuma de acabar. Pra quê a pressa? Ela, jovem, com muitos anos pela frente e eu um pouco mais na frente. Ainda teríamos muitos papos para colocar em dia... Pensava eu... No entanto não foi assim que aconteceu. Eu já tive a idade dela mas ela nunca terá a minha.





Sem pressa alguma a gente ia fortalecendo nossa amizade. Às vezes quando ela vinha e me dava um abraço mais forte e demorado eu sabia que a coisa tava pegando, então não havia palavras para expressar tais sentimentos. Depois ela sorria - ela sempre sorria - e lá íamos nós, cada qual para sua caverna.



Nem faz um mês que se foi mas penso nela todos os dias. É inevitável não deixar de olhar na janela de sua sala. Agradeço a Deus por esses anos que passamos juntas dessa forma. Foi muito gratificante para mim. Sinto falta do seu abraço. Como sinto!



Peço a Deus que tire toda a tristeza do meu coração e, principalmente daquelas pessoas que conviveram mais intimamente com ela: seu marido, pai, irmão e seu tesouro o qual ela sempre falava: seu filho adolescente o qual ela tinha uma verdadeira paixão e, novamente me perguntou: que direito alguém tem de tomar uma dose sequer de álcool e dirigir um veículo para destruir vidas tão preciosas, como a dela, pois todos sentimos o impacto dessa violência. Se houvesse menos violência nas estradas, mais prudência; muitas pessoas ativas e jovens estariam aqui, produzindo, criando, vivendo e fazendo outras pessoas felizes.





Que a dor não nos faça desiludir e desacreditar do ser humano e que possamos ter esperança no coração.



Que Deus dê força a todos que sofreram com essa perda insubstituível e que Ele possa nos mostrar a cada dia, que o fim da vida é apenas o princípio da eternidade.



Silvia... amiga, irmã, filha, esposa, orientadora. Que a Paz esteja contigo!



Para sempre em nossos corações!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A FAMÍLIA É COMO UM CORAÇÃO















Passei um tempo fora de minha vida para cuidar de minha filha que teve um lindo bebê. Larguei tudo mesmo, me desloquei até de cidade: por um bom tempo nada de Internet, facebook, nem pensar se marido e o filho estão se virando bem, mudar da agitação de São Paulo para uma pacata cidade do Interior. Engraçado, mudar de rotina de papéis para fogão, roupas de criança no varal, bebês chorando (e quase havia me esquecido como é levantar a qualquer hora da noite, caindo de sono, para ver se o bebê está coberto, ver se está acordando ou se está molhado) - é claro que a maior parte dessas atividades eram de minha filha mas eu ficava por perto, como suporte além do que haviam dois outros pequenos que tinham suas necessidades específicas. Ficar por ali, meio na sombra, sem querer atrapalhar a vida da família porque é claro, cada família tem o seu ritmo próprio. Sentir um aperto no coração ao vê-la com dores no peito - na hora de amamentar -, dor nas costas, aí toma remédio e fica ruim com dor no estômago, caindo de cansada, de madrugada, mas tá na hora de amamentar e é só ela mesma ninguém pode fazer nada quanto a isso. Tem hora que tem que largar o bebê e ficar com os outros que pedem sua atenção. Todas que foram mães já passaram por isso. Parece que aquilo nunca vai acabar, que as dores não vão passar, que o sono nunca mais será suficiente...Mas depois tudo entra nos eixos novamente. É claro que tem as coisas boas, que não são mensuráveis e que fazem com que tudo valha a pena no final das contas. Eu acho que a família é como um coração, que bate num só compasso, um compasso cheio de melodia. O que descansava meu espírito é quando eu não pude estar com ela, lá estavam ora minha irmã Ana, que é a outra mãe que ela teve como também sua sogra-mãe Jurema, que a socorre a qualquer momento. Eu digo que ela tem sorte pois tem três mães quando algumas não tem nenhuma.






Os filhos sabem que vivemos para eles - eu, além de meus filhos carnais tenho vários filhos do coração que Deus foi colocando em minha vida. Às vezes vão para longe do ninho mas sempre voltam para contar de suas conquistas, lutas e alegrias. Uma vez recebi uma mensagem que diz que o filho predileto é aquele que está longe. É verdade, quando está à nossa vista já podemos socorrê-lo antes que caia. Então todos são os meus prediletos pois os carrego todos no coração.






Enfim, já na rotina de minha vida, cuidando de meu pequeno reino novamente - trazendo a saudade em meu coração - me deparo hoje de manhã, com uma mensagem em meu celular, a qual me deixou emocionada: minha filha me passou um torpedo às 4 horas da manhã, hora que ela poderia correr para dormir um pouco mais e refazer as forças para um novo dia que será muito corrido, enfim, não precisava mas ela quis me agradecer dos dias que passamos juntas, comendo bolo de mandioca, de fubá, tomando suco de limão. São pequenas coisas que nos fortalecem para as batalhas da vida. Coisas que fazem com que nossos corações possam bater no mesmo ritmo e nossos olhares se voltem para a mesma direção. É a família que segura nosso emocional quando estamos em perigo ou pensamos que vamos sucumbir. É a família que nos fortalece e coloca em nós as armaduras para os combates da vida. Como é bom ter uma família que se ama! Como é bom podermos gastar nossas vidas pelo amor.





Assim é a vida e gostaria de deixar a foto das duas aqui: da mãe e da filha. Não me perguntem qual delas eu acho mais linda...sou suspeitíssima! E alguns ainda dizem que viver não vale a pena.





Para terminar deixo um pensamento de Benjamim Franklin: "O tempo é o material do qual a vida é feita."





Espero um dia, muitos anos há frente, minha filha colocar mais uma foto aqui.